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As Minhas Luas... [entries|archive|friends|userinfo]
luas

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(no subject) [Apr. 30th, 2005|02:45 pm]
[Estado d'alma.... | high]

Voltei para aqui, porque me sentia presa.
E continuo a não dar explicações.


descrição

"Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.


Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.


Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.


Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,


Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
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Nós. Aqui. [Jul. 19th, 2004|05:34 pm]
Não sei o que tens em mim, se é a brancura da tua pele morena, as linhas desse teu corpo vazio, ou as letras que acumulas na garganta, mas dás-me mais espaço que eu própria a mim.
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A vós... [Jul. 9th, 2004|08:46 pm]
[Estado d'alma.... | creative]

Confesso...traí-vos.
Aos leitores, aqui fica outro mundo meu.

http://exit_to_the_moon.blogspot.com
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Esquema de um coração [Jul. 9th, 2004|08:45 pm]
[Estado d'alma.... | artistic]
[Sons... |Barry White - Love Songs]

Hoje abdico dos meus sonhos.
Não de todos, só daquele mais importante, daquele que mais queria. Conformo-me à vida, (amostra de), sem ele. Tiro as pegadas, o rasto daquele sonho de dentro do coração. Não tenho espaço para ele. As emoções já estão apertadas, a prateleira da dor está cheia. Bem, o armário da alegria está meio vazio, mas não posso misturar os artigos...Não podemos guardar o esparguete junto do detergente para a roupa, pois não? Corremos o risco de estragar uma das coisas.
Num canto está empilhada a tristeza, tropeço nela de vez em quando. Tenho o deslumbramento cheio de pó por estar na prateleira de baixo, sem uso.
A saudade está em todo o lado e não sei onde guardei a satisfação. Acho que a pus naquela prateleira, lá em cima, junto com alguns sonhos. Tenho inclusivé algumas mágoas penduradas no tecto. No meio do chão estão as lágrimas que acabaram por salgar alguns ais, que tinham ficado por ali caídos, e os cristalizaram. Tenho que os deitar fora. As lágrimas, essas, chegam-me aos tornozelos.
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How to bake bancakes... [Jul. 7th, 2004|09:53 pm]
listen very carrefuulllyy I shall say thizz only once...!


Peneirar (sabem o que é peneirar?) 100 gramas de farinha para uma tigela, abrir um buraco ao meio e juntar três ovos.
Juntae 1.75dl do leite e bater. No final de ter batido juntar mais 1.75dl de leite, e bater mais um bocadinho.


Deixar descansar 20 minutos e juntar 50 gramas de margarina derretida previamente e JÁ FRIA.

Por uma gotinha de óleo numa frigideira ANTI ADERENTE e espalhar com um guardanapo, retirando o excesso.
Utilizar a concha da sopa como medida com que se vai fazendo as panquecas. Quando for preciso ir passando o tal guardanapo com oleo na frigideira.

NAO TENTES VIRAR AS PANQUECAS NO AR. Vai virando com uma espátula. Depois de teres feito panquecas 150 vezes na tua vida tenta virar uma no ar. Não vais conseguir. Espera pela próxima vida.

Comentário receituais :


Se não seguires estas instruções à risca, as panquecas auto destruir-se-ão automaticamente, bem como esta mensagem. É sabido que só conseguimos ler a receita correcta das panquecas uma vez na vida, pelo que temos que a decorar imediatamente.

A parte do descanso das panquecas é fulcral. Se não se deixar descansar as panquecas elas ficam rabugentas e nao querem fazer nada. Dão o dobro do trabalho.

Do it with love. As panquecas são seres que odeiam más vibrações e podem pregar-te partidas muito más se estiveres com os azeites.(até porque elas se fazem nos óleos, e não nos azeites) Estilo cair-te em cima da cabeça quando as viras, ou cairem para trás do fogão. Ou ainda perseguirem-te pela casa fora, ou assobrarem-te os sonhos. Não estranhes se vires ao acordar panquecas no tecto de sua casa. É perfeitamente normal. Lembra-te de que ficou uma lá no dia anterior.

As panquecas são normalmente seres dóceis, a menos que detectem uma mulher naqueles dias do mês...Verdade, caros leitores. Acreditem. Não há panqueca que nao se vos cole á frigideira se a pessoa que as cozinha for uma senhora que jogue pelo benfica naquele momento.


Depois de estarem feitas, podem untá-las com o que vos mais apetecer, as panquecas nao são esquisitas e vão com todos. O meu conselho? Mel, natas, gelado e chocolate quente (não tudo ao mesmo tempo, comilões...!).

Alguém quer partilhar receitas de alguma coisa?
Eu ando muito culinária...!
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Quem me dera... [Jun. 29th, 2004|12:09 am]
Chego a casa e penso : quem me dera.
Descalço os chinelos (sim, vou de chinelos para o emprego) tiro o anel, tiro a pulseira, e o relógio (para que uso eu um relógio? passo o dia á frente de um). Tenho calor. Carrego no "play" e oiço a minha musica favorita do momento. Não me dispo. Bebo o resto da garrafa de água que esta na mesa de cabeceira e penso: quem me dera acabar com o suplício da água.
Ligo o computador e penso: quem me dera. Vejo o que o meu burrinho sacou da net e penso : quem me dera.
Volto ao quarto, quem me dera.
Dispo-me e olho para o espelho. Aqui não há quem me dera. Deram-me quase tudo, ou pelo menos tive os exemplos certos para saber apreciar o que me deram.
Tomo banho, agua morna. E uso o gel que me lembra estrasburgo : quem me dera.

De volta ao quarto. Quem me dera. Musica em "repeat". Quem me dera.
Fecha-se-me a alma. A garganta. Os olhos. Fecha-se-me a lingua e abrem-se os compartimentos na minha cabeça. Abro a porta ás letras. E elas olham-me e dizem "quem te dera?"

Dá-te tu a ti mesma os teus sonhos, dizem-me elas.
Eu mesma?
Quem és tu?
Eu...? sou eu mesma. E com crises de identidade, pelos vistos.
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As pessoas que pedem para ser amadas [Jun. 26th, 2004|12:01 am]
[Estado d'alma.... | disappointed]
[Sons... |Run to You]

Rasguei o papel da minha vida, e com o vento que está, foi uma péssima ideia.
Agora estou desesperada, à procura dos papelinhos rasgados e a colar com fita cola aqueles que encontro.
Mas colo-os nos sítios errados. Depois fico com dores grandes em corpo de gente pequena, e visão de pessoa crescida com ideiais de criança.
Vou fazendo desta a minha cidade, vou recolhendo os papéis e vou saindo à rua com a mala menos pesada, e o peito com menos ar. Com os olhos mais molhados e com a alma mais distante.
Penso que é isso que acontece quando crescemos : a alma vai fugindo do nosso corpo, porque não aguenta esta vida. Não aguenta os contratempos, e o tempo perdido, quando podiamos estar a perseguir sonhos.

Tenho saudades de ter uma mãe que me aceite. Tenho saudades dos tempos em que não tinha pesadelos contínuos. Saudades dos tempos em que não gritava de noite.
Saudades de mim, que rasguei o papel da minha vida e me perdi, por aí.
E como já disse uma vez, se me encontrarem, devolvam-me.

Tenho saudades da terapia que aquela serra me fazia. Saudades de estar perto das coisas. Perto de casa. Perto de mim, que era inteira e una.
Tenho saudades tuas, que fazias, e ainda fazes, parte desse mundo. E minhas. Tenho tantas saudades minhas que morro a cada segundo.
Mas morreria a cada segundo de qualquer maneira, certo?
Certo.
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Há coisas que me arrepiam... [Jun. 25th, 2004|08:58 pm]
Alone
Lonliness dominates you. You can hide it well, but
its there, and your friends can see it. You
constantly feel alone, and need to do things to
fill your time. Your afraid to tell people
this, but sooner or later it gets out in a bad
way, and you think you screwed up everything.
And when you are in love is when you are sad
the most.


What Emotion Dominates you?
brought to you by Quizilla
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País das Maravilhas [Jun. 22nd, 2004|12:04 am]
Alice no País das Maravilhas...

Corre Alice corre. Tic Tac. Corre atrás do coelho, ou o país das maravilhas esvair-se-á em sonhos dos quais acordas e olhas o tecto. E desejas do fundo do coração nao ter acordado.
A saudades com que ficas daquelas viagens

Alice went home, eventually. Cause every trip ends.
Even when you are on the other side of the mirror.
Cause home is where your heart is.
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(no subject) [Jun. 21st, 2004|11:52 pm]
Ide-vos e fodei-vos.
Deixem-me da mão.
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Descalça. [Jun. 17th, 2004|10:04 pm]
[Estado d'alma.... | contemplative]

Estou descalça no escritório. Ocasionalmente alguém olha, ou faz um comentário. Mas hoje estou absorta.
Lembro-me da Ally Mcbeal e daquele personagem que andava descalço para se concentrar.
Bom, estão 30 graus lá fora, estou descalça e não páro de pensar em futilidades.
E descubro que consigo escrever sem ser quando choro ou quando estou a sofrer.
Também me ensaio na alegria, no tédio, no inútil, no surreal.
Também não discorro só aos amores. As amizades também me movem. A família também me move.
Movem-me, afinal, os sentimentos. O sentir. O estar viva. E penso : que bom é ter a minha humanidade aqui tão perto.
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Diz tu por mim [Jun. 15th, 2004|11:44 pm]
"Não era hoje um dia de palavras,
Intenções de poemas ou discursos,
Nem qualquer dos caminhos era nosso.
A defenir-nos bastava um acto só,
E já que nas palavras não me salvo,
Diz tu por mim, silêncio, o que não posso."

José Saramago in Poemas Possíveis
Ed. Caminho
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(no subject) [Jun. 14th, 2004|09:27 pm]





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Quero mesmo a resposta. [Jun. 13th, 2004|06:04 pm]
Dedico as músicas erradas às pessoas erradas, os momentos certos a contextos disfuncionais. Apetece gritar "Não vais salvar o mundo!" ... E apetece responder "...mas posso tentar...?"
É meu direito. Minha intenção. É o meu mundo. Querem sorrir por eu o querer salvar? Sorriam. Fico aqui, no meu canto de boas intenções com péssimas acções. Porque afinal, sou má pessoa. E sem remédio, para tomar a horas certas. Em sítios errados.

...


Afinal, se somos tantos, porque não nos cruzamos? Isto é algum jogo de batalha naval pervertido, com regras feitas, contruídas por um criador prepotente?

...Queres mesmo a resposta...? Sim. É.

Se somos tantos com os mesmos desejos, os mesmos sentimentos, a mesma dor partilhada, porque não nos encontramos nas passadeiras com sinais verdes? Se somos este mito urbano de corações partidos, alma enxovalhada, vida amarrotada, onde estamos todos, afinal ??

...Queres mesmo a resposta? Perdidos.

E tu, que me ouves, que me lês e a quem não me dirijo há tanto tempo. Tu. Faz qualquer coisa. Salva estes pequenos mundos, estes sonhos grandes de gente pequena.
Mexe-te. Faz-me feliz, merda.





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Sinto-me assim... [Jun. 5th, 2004|07:34 pm]
Como o rui veloso, naquela canção tão simples...

"Naquele trilho secreto,
Com palavra santo e senha.
Eu fui língua e tu dialecto.
Eu fui lume, tu foste lenha.
Fomos guerras e alianças,
Tratados de paz e pessangas.
Fomos sardas, pele e tranças,
Popeline, seda e ganga.
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido.
Rompi eu as minhas calças.
Esfolei mãos e joelhos.
E tu reduziste o acordo,
A um montão de cacos velhos.
Eu que vinha de tão longe,
Do outro lado da rua.
Fazia o que tu quizesses,
Só para te poder ver nua.
Quero já os almanaques.
Do Fantasma e do Patinhas,
Os Falcões e os Mandrakes.
Tão cedo não terás novas minhas.
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido."

Porque fomos tudo isso...e porque também recordo aquele acordo, bem claro e assumido, escrito até. Acordo sem palavras que possam descrever as promssas implicitas. E desta vez tu não cumpriste, faltaste à promessa...e assim fiquei eu...triste, sentida, zangada, frustrada...porque o prometido é devido.
Rompi a minha vida, esfolei a alma e o coração, e tu reduziste as promessas a um monte de palavras ao vento. E eu, que vinha de tão longe, de tao longe mesmo, voltei a crer em palavras ao vento, para me poder ver a mim nua. Nua de feridas abertas, nua de sentimentos passados, nua de medo. Para poder estar nua ao teu lado. Quero já as cartas, as prendas, o amor. Devolve-me já amor, todo, preciso dele, não sei se consigo fazer mais amor...parece que se acabaram os ingredientes com que sempre o cozinhei.
E olha que isto não se faz. Disseste que se eu fosse audaz, tu me tiravas os vestidos de dor que tenho por cima desta pele gasta pela vida. Os vestidos de lágrimas que me inundam, que jurei, nunca mais voltariam a cair.
Devolve-me.
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Hoje. [May. 30th, 2004|08:36 pm]
ouvi isto num sitio...

"Não consigo dormir.
A única coisa que consigo pensar
é em enrolar as minhas pernas
à volta da tua cintura
E os meus braços
á volta do teu pescoço.
Mas tenho medo
que o teu corpo não aguente o peso do meu amor."
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Manifesto Feminino [May. 25th, 2004|09:08 pm]
Manifesto feminino

Estou farta de morar sozinha. Sozinha, é como quem diz, não é?
Moro com um puto de 20 anos que pesa menos 4 quilos que eu….não sabe sequer mudar uma lâmpada. Não sabe fazer um ovo estrelado, quanto mais mudar uma lâmpada.
Estou farta de morar sozinha. Há aproximadamente 7 anos que moro sozinha. Há, portanto, 2555 dias que me desemerdo sozinha, se não contarmos os dias a mais nos anos bissextos.

Desde lâmpadas, a estores partidos, a inundações, já resolvi de tudo. Sozinha. Desde mudar-me de casa 5 vezes nestes 7 anos, desde encaixotar, desencaixotar, arredar, separar, limpar, pregar, furar, aparafusar, já fiz tudo. Canos rotos, autoclismos que não funcionam, esquentadores entupidos…Já provei que consigo, de facto, desenvencilhar-me sozinha. Agora chega. Quero um homem para me mudar as putas das lâmpadas.

Quero um macho a quem eu possa gritar “amoooooooor tá ali uma aranha”, ou “olha, podes ver aquele caixilho ali…?”. Quero um homem, que não só me leve o pequeno-almoço à cama aos sábados de manhã (aos domingos não quero, odeio domingos), mas também me saiba recitar Eugénio de Andrade. E que conheça Marques de Sade. E que saiba arranjar prateleiras desencaixadas. E que saiba funcionar com um berbequim.

Quero um homem que me engate todos os dias ao jantar. Que me namore na cozinha, me assedie enquanto faço gambas grelhadas, e que estenda a roupa quando lhe peço.

Quero um homem tente engatar-me todas as noites ao jantar (eu sei que já disse isto…só queria frisar…). E que a noção de engate deste homem não seja arrotar porque a comida estava boa… Quero um homem que, quando lhe pergunte “viste o meu exfoliante corporal?” não me responda “hãn?”.

Que saiba as propriedades de um chá de verbena. E de uma salada de giseng. Quero um homem que veja futebol comigo, e que vá as compras e me surpreenda com prendas de lingerie. Daquela clássica. E daquela ordinária também.
Quero um homem que ande de bicicleta e que me vá levar às aulas de ballet. Que me peça para dançar. Quero um homem que saia comigo á noite, e que goste de dançar Marvin Gaye.

Quero um pedreiro com uma alma de pintor, e a inteligência de um engenheiro, pode ser?
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A instância amor [May. 23rd, 2004|11:26 pm]
Fazes-me doer o amor, disse eu recentemente. Como se o amor fosse uma instância em mim, que funciona mediante o meu estado de espírito. Ainda que este esteja mau, não encerra nunca, aquela instância. Funciona como a ajuda pública, é como uma ONG. Dá sem esperar receber, mas não haja duvida que funcionará tanto melhor quanto mais contribuições houver. Além do mais, estas têm que ser espontâneas. Ou então serei multada por essa outra entidade em mim, o orgulho. Afinal de contas, sou um pequeno órgão de soberania, eu.

Mas não haja dúvida. Fazes-me doer o amor. Pior que não esperar nada, é ver que realmente não podemos esperar nada, ao constatarmos que nada virá. É como num deserto. Não temos realmente a esperança de encontrar uma fonte no meio daquela areia. Mas não a encontrarmos de facto, custa ainda mais. Não porque o esperássemos. Afinal de contas estamos no meio de um deserto. Mas porque temos sede. E porque disso dependíamos. E lá bem no fundo, acreditamos em coisas boas que acontecem sem razão. Não só em más, mas também em boas. E essas coisas, já as sabemos inesperadas. Só as torna melhor ainda. Mas o facto de as sabermos inesperadas torna a nossa supresa num paradoxo impossível. Denomino isto de surpresas lógicas. Aquelas que, se acontecerem, deixam atrás de si um rasto lógico que se pode seguir, e que nós próprios poderíamos ter seguido se nos apetecesse.

Ainda assim, fazes-me doer o amor. Fazes-me doer o peito, zona física onde se encontra essa instância, o amor. Fazes-me doer esta ONG que trago dentro de mim, e que dá aos pobres. Tira de mim para dar aos pobres. Esta avaliação de “pobres” é que por vezes me trama. Porque, não raro, sou enganada. Os ditos “pobres” afinal são ricos patetas. Que bonita semântica esta. E que rica pateta me saí eu, com estas instâncias idiotas, impossíveis, impensáveis, insanas.

Mas fazes-me doer o amor. Não percebo esta esperança idiota de que ajudar pobres esfomeados de amor os traga para junto de mim. Eu, que até estou bem assim. Eu, que até durmo atravessada na cama, sou chata, deixo sempre a luz do corredor acesa e faço bolos de chocolate a horas estúpidas. Eu, que não preciso de ninguém, enquanto houver xanax e tempo para dormir. Eu, que estou tão bem assim. Adoro este discurso. Adoro este estado. Adoro, abomino estas letras. Rica patetice que saiu este crescente abecedaico. Ricos neologismos estes.

Fazes-me doer o amor. Pode ser que de tanto o dizer as ditas dores de que padeço fujam de tédio. Fujam como uma Lolita abusada e cansada de ser usada. Cansada de rimas e pleonasmos em esses.

Fazes-me doer o amor. Digo-o mais uma vez, como um exorcista que arranca o diabo deste corpo frágil, destes menos de 50 quilos que me pesam tanto ás vezes. Digo-o mais uma vez e pode ser que desapareças da minha instância, pode ser que preenchas ficha num outro órgão de soberania alheio.

Fazes-me doer o amor. E quando me fizeres doer o orgulho, irás passar sem esta ONG orgulhosa e teimosa. Pode ser que um dia venhas fazer contribuições de roupa usada, como eu própria fiz há uns tempos atrás. Não é suposto as ONG’s serem orgulhosas, pois não?
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o que eu acho que me acontece frequentemente... [May. 4th, 2004|06:47 pm]
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O Sr. Motorista do 202 [Apr. 26th, 2004|02:48 pm]
O mundo é governado por filhos da puta.
Eu sei. São pleonasmos liricos. Devaneios constatados há muito.
Mas que querem vocês? Deu-me para isto. Deve ter sido do 25 de Abril. Ou de ter visto o Manuel João naquele filme épico que passou ontem no canal 1, cujo nome desconheço (avanço a hipótese remota de ter a ver com o dito feriado revolucionário e ter no seu título as palavras "abril" e "revolução"...ou então "cravos").

Estou farta de lobbies. Farta de factores "c". Estranho mesmo é que os factores "C" irritam-me mais quando sou eu a usufruir deles. Devia estar contente e refastelada mas não...
Irrito-me.
Tal como se irritou o Sr. Motorista 202, que me ia abalroando. A mim e á pequena que acompanhava a outra menina (?) de cabeça meia rapada e meia cor de rosa choque.
O Sr. Motorista devia estar muito irritado, pois o trânsito nascia no Cais do Sodré. Bonitos fogos de artificio foram os daquela noite. Da de 24 de abril, entenda-se.
Vistos assim de perto, até pareciam flores no céu (desculpem-me esta frase lamechas, mas tinha que ser. É da praxe. Não que eu seja a favor da praxe. Aliás, sou muito contra. Quando a mim me perguntaram "És do primeiro ano??" eu respondi "NÃO. Porquê? Há problema??")

Amanheci assim hoje, eu...revolucionária.

Capítulo II
O factor C visto de perto

Estou farta de lobbies, como já referi. Não era para me alongar neste tema, mas realmente, no meio desta verbosidade inutil, achei que devia sublinhar este ponto.
Acho de um injustiça terrivel (como eu gosto da conjugação destas duas palavras...) o sol nascer só para alguns. Permitam-me a metáfora reles, mas porra, porque raio é que nascer no Burkina Faso há-de ser impedimento para ter as mesmas hipóteses que os outros??
Porque é que não temos todos os mesmo direitos??
Isto irrita-me na medida directamente proporcional ao ser eu a usufruir destas pequenas (ou grandes) regalias por conhecer este ou aquele. Sinto-me a trair os meus princípios.

Nota : esta é uma boa desculpa para ter ficado a dormir hoje de manhã, não é?




Brihantes conclusões:
- o 25 de abril atrasa o trânsito
- a menina de cabelo cor de rosa nao gosta de fogo de artificio
- o Sr. Motorista do 202 faz tunning e street racing na VDG quando não está de turno no Cais do Sodré à 1 da manhã
- O Santana Lopes ter gasto mais dinheiro em fogo de artifício do que em realojamento de familias. Foram 35 minutos de non stop fireworks.

Conselhos :
- Não tentem apanhar o da 1:00. Ele não passa.
- Não comecem alguma fase da vossa vida pelo telhado. Subam a pulso. Senão são só desgostos.
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